Preguiça vs criatividade: o lugar comum no design

6 de fevereiro de 2019 0 Por Bolha Criativa
Tempo de leitura: 3 minutos

Nesta série do Bolha Criativa abordamos a preguiça como uma das causas do bloqueio criativo. Neste artigo vamos falar um pouco sobre algumas ações que fazem com que o design esteja no lugar comum, simplesmente por conta da preguiça criativa do designer.

Para um bom design funcionar, ele deve ter três bases bem construídas: o visual, a praticidade e o significado. Resumidamente:

Visual obviamente é a parte estética, geralmente sendo erroneamente mais valorizada do que as outras, afinal é aquilo que enxergamos a primeira vista. A praticidade leva em conta o modo como o design foi construído. Se for prático, todos os elementos foram colocados para facilitar o usuário, como a disposição bem organizada de um menu de um restaurante, por exemplo. E o significado deve estar presente na representação feitas na arte, através do uso da semiótica pelas cores, símbolos, imagens e até mesmo das fontes. Ambas devem conversar com o público-alvo para serem compreendidas e terem um efeito.

Mas é comum encontrarmos artes que sejam um pouco desleixadas nas bases. Vamos citar alguns dos erros mais comuns e como contorná-los.

Fontes

As fontes existem há muito tempo (bem antes da era da informática), cada uma contendo uma história diferente do seu uso e criação, mas as vezes o designer preguiçoso é tão apegado a uma fonte que esquece que muitas outras podem cumprir um papel ainda melhor do que ela.

Muitas vezes é uma fonte escolhida a dedo, uma bem marcante e estilizada, como a Trajan, por exemplo. No entanto, é mais comum encontrarmos artes com a fonte padrão da maioria dos programas, no caso do Windows, a Arial ou a Calibri (no caso do Word).

Mas vamos falar da Arial, que de fato é uma boa fonte para quase todas as ocasiões. O problema é que ela é facilmente reconhecida porque praticamente todo amador (ou não) usa!

Antes de usar essa fonte querida, pense duas vezes e abra a lista de fontes para encontrar uma que se encaixe melhor com a arte ou que a diferencie das demais. Afinal, também não é legal criar artes com o mesmo estilo, não é mesmo? (ver item anterior).

Usar o mesmo estilo de arte para todos

Uma vez eu conheci um cara que todas as artes deles possuíam o mesmo fundo abstrato no formato de bolinhas azuis e laranjas. Não importava se era um cartaz de uma banda local ou o panfleto do petshop da esquina: todas essas artes continham o maldito fundo de bolinhas azuis e laranjas.

Assim como na escrita, quando você deve entrar na “cabeça do personagem”, sua missão como designer é entrar na cabeça do público alvo e usar sua criatividade para trabalhar numa arte que seja agradável para ele. Use o E se de maneira eficaz: “E se eu fosse um fã de axé, o que eu gostaria de ver no pôster da banda?”

Usar o mesmo significado para tudo

Vamos supor que eu esteja fazendo uma identidade visual para uma construtura. A primeira cor que eu imagino para a logo desta empresa é o laranja, porque o laranja remete a tijolos e tijolos remete a construção. Também adicionarei o cinza, que é a cor do cimento para “unir” o símbolo do tijolo com a fonte. Perfeito! Um significado simples para um logotipo simples e eficaz.

O problema é que eu já usei esta mesma definição para outra construtora.. e outra… e mais outra! Logo, todas as minhas criações, por mais diferentes que sejam, possuem o mesmo significado! E agora?

Este é um caso facilmente identificável como lugar comum. Para pensar diferente, devemos encontrar um outro ângulo, uma nova forma de enxergar as coisas. Seria essencial que você pesquisasse um pouco mais a fundo sobre a construtora em questão para fugir dos clichês.

Por exemplo, se a empresa defender a sustentabilidade, porque não colocar o verde na equação para representar o conceito de defesa do meio-ambiente? Ou se empresa preza pela segurança, por que não usar o azul para demonstrar sua confiança?

Com essas breves sugestões você pode sair do lugar comum, desde que deixe de lado a preguiça e comece a valorizar o seu trabalho. Se tiver mais alguma dica, deixe nos comentários! Acompanhe a página do Bolha Criativa no Facebook para não perder nenhum artigo.

Até mais!

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